Entrevista com a Tamires Sampaio

Conversamos com a militante negra, primeira mulher negra presidente do Centro Acadêmico de Direito do Mackenzie, e hoje, coordenarada da Frente Nacional Antirracista.

Conta um pouco da sua história antes de entrar na política.
Eu sou moradora da zona leste de São Paulo, desde pequena acompanhei minha mãe em movimentos de mulheres negras, reuniões do sindicato e das promotoras legais populares. Então mesmo antes de eu mesma começar a militância no movimento estudantil eu já cresci nesse meio.

Como foi ser a primeira mulher negra a presidir o Centro Acadêmico da Faculdade de Direito do Mackenzie?
No Mackenzie eu comecei a militar no movimento estudantil, fizemos um coletivo chamado Frente Perspectiva que fazia debates sobre combate às violências de gênero e raça nas universidades. E em 2014 resolvemos disputar a eleição do CA. A chapa Catarse que era declaradamente de esquerda e bem diversa e que me elegeu como a primeira mulher negra presidenta do CA. Foi um marco na minha vida essa gestão, poder trazer temas tão importantes pros alunos do Direito foi uma experiência e tanto.

Fala do seu livro o livro ‘Código Oculto: política criminal, processo de racialização e obstáculos à cidadania da população negra do Brasil’? Ele contou com a participação de Lula e Silvio Almeida. E como surgiu o convite para o Instituto Lula?
Meu livro é resultado da minha dissertação de mestrado em Direito Político e Econômico no Mackenzie, orientado pelo prof Silvio de Almeida. No livro falo sobre política criminal e racismo estrutural, início um debate sobre o por que denunciamos como genocídio o que acontece com à população negra no Brasil e por fim falo sobre a necessidade de construir um sistema de segurança pública cidadã, baseado na garantia de direitos para toda a população.

O Prof Silvio faz o prefácio, ninguém melhor já que foi quem me orientou durante a escrita do trabalho e a apresentação é feita pelo Lula o presidente do ProUni responsável por eu ter a oportunidade de entrar na universidade. É uma alegria imensa ter os dois nesse livro tbm. Junto da Matilde Ribeiro que faz a contra capa e o prof Humberto Fabretti com o posfácio.

Eu comecei a trabalhar no Instituto Lula após a gestão do CA. Iniciei na iniciativa africa fazendo a ponte do IL com o movimento negro e depois fui convidada pra diretoria.

Você se candidatou a vereadora. Fale como foi a experiência. E você acha que após o assassinato de Marielle mais mulheres negras se interessaram pela política?
Com certeza Marielle foi e é uma inspiração para todas as mulheres negras que decidiram sair candidata. Tentaram nos calar mas somos sementes.
Fui candidata a vereadora em São Paulo pelo PT, por uma cidade antirracista e o Bem Viver em São Paulo. Tivemos 11451 votos nesse projeto e foi uma experiência incrível poder dialogar com a população da cidade ideias para melhoras a nossa vida de forma coletiva.

Você ajudou a organizar o encontro de Lula com coletivos da periferia. Acredita que em um novo governo do Lula terá mais participação de entidades negras e periféricas?
Eu acho que não existe outra possibilidade senão a de um governo junto dos movimentos sociais e periféricos para que tenha força pra implementar o programa de transformação social.

Quais os maiores desafios do movimento negro este ano?
Combate ao genocídio da população negra, em especial da violência contra a juventude e as mulheres. Combate à fome e a miséria que vem assolando a população negra no país. Combate à pandemia do coronavírus que vitimiza majoritariamente pessoas negras. E as eleições de 2022, eleger pessoas negras no parlamento é fundamental para a garantia de políticas públicas.

Você hoje veio para FNA ajudar na coordenação da entidade. Fale sobre esse desafio. Como é estar à frente da campanha para ajudar a Bahia?
Está sendo uma experiência incrível coordenar a campanha abrace a Bahia e os estados pela FNA. Já arrecadamos 80 milhões em doações e isso só foi possível graças a capilaridade das mais de 600 entidades que compõem a FNA e o compromisso das nossas lideranças.

A FNA está pensando no próximo Dia Internacional da Mulher, em 8 de Março?
Estamos nos organizando para participar do 8M nos estados. Não há que se falar em luta das mulheres sem a presença de mulheres negras e indígenas.

Texto: Anderson Moraes
Edição: Cleiton Santiago

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